Novidades > Artigos

10/11/2009
Diamantina comemora dez anos de título de Patrimônio Cultural da Humanidade

Foto Anterior Legenda da foto bla bla bal baljjflakjf adflajf adf Foto Posterior
Nova pagina 1

Diamantina comemora, no próximo dia dois de dezembro, o aniversário de dez anos da conquista do título de Patrimônio Cultural da Humanidade, conferido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO em reunião do Comitê do Patrimônio Mundial, realizada no Marrocos. A notícia, transmitida pelo então prefeito João Antunes de Oliveira, que, em Marrakech, acompanhava a reunião da UNESCO, foi recebida com alegria e entusiasmo pela população diamantinense, estendendo-se as comemorações festivas pelas ruas e becos do centro histórico até 12 de dezembro de 1999.

De fato, a mobilização e a participação da população seriam grandes diferenciais de Diamantina na campanha pelo título mundial. Lançada em 28 de março de 1997, quando o prefeito instituiu a Comissão por Diamantina Patrimônio da Humanidade, a campanha empolgaria a cidade, logo ganhando o apoio do então ministro da Cultura, Francisco Weffort. Depois, seria a vez da Secretaria de Cultura de Minas aderir ao movimento e, assim, paralelamente aos trabalhos de preparação do Dossiê da candidatura, que já se iniciavam, a Prefeitura iniciou intensa agenda de eventos, cujo ponto de partida foi o lançamento do Programa Nacional de Turismo Cultural. O programa, apresentado em Diamantina em 17 de agosto de 1997, Dia do Patrimônio Cultural, não só consolidou a campanha, como projetou a musicalidade da cidade e a rua da Quitanda, palco da primeira Vesperata.

Ainda em dezembro daquele ano, o Teatro Nacional de Brasília seria palco, por sua vez, de outro momento fundamental da campanha Diamantina Patrimônio Cultural da Humanidade, ao celebrar a irmanação da cidade natal do presidente Juscelino Kubitscheck com a capital federal que ele criou. Promovida pelo Caderno Brasília do Hoje Em Dia, a festa de irmanação entre as duas cidades, unidas por JK, foi embalada pelos acordes das bandas diamantinenses e pelos músicos do Clube da Esquina e ecoou para a opinião pública do País toda riqueza e a diversidade da história e da cultura de Diamantina.

 

Mobilização popular

 

Ancorada nesta intensa agenda de eventos, a campanha projetou a cidade e calou fundo no coração dos diamantinenses, antes mesmo que o Dossiê da candidatura fosse oficialmente encaminhado à UNESCO pelo Ministério da Cultura; o que ocorreria em 30 de junho de 1998. Pesquisa realizada pelo Instituto Vox Populi em abril daquele ano revelaria, por exemplo, que nada menos do que 83,3% da população já aprovava a campanha Diamantina Patrimônio Cultural da Humanidade e, entre os entrevistados, 21,6% consideravam que esta era a ação mais importante para o futuro da cidade.

O apoio popular seria saudada também com entusiasmo pelos representantes de órgãos de proteção ao patrimônio histórico, artístico e cultural. Suzana Sampaio, que acompanhou toda a campanha como presidente do Icomos/Brasil - um órgão consultivo da UNESCO -, destacaria o empenho dos seus idealizadores, desde o início do movimento, “em promover a cidadania e a melhoria de vida da população”. Já o então presidente da Associação das Cidades Inscritas no Patrimônio da Humanidade, Michael Bonnet, que visitou a cidade em fevereiro de 1999 como perito da UNESCO, ressaltou, em seu relatório, que o apoio da população à campanha pelo título era também uma das razões pela qual ele recomendava a inscrição da cidade na Lista do Patrimônio Mundial.

Apesar disso, Diamantina teria, no entanto, de vencer ainda alguns desafios até a reunião da UNESCO no Marrocos. O primeiro deles era que a cidade, até então, não dispunha de um Plano Diretor que salvaguardasse para as gerações futuras o seu patrimônio histórico, artístico e cultural. O outro desafio seria colocado pelo perito da UNESCO. Embora Bonnet recomendasse em seu relatório que a inscrição fosse aceita, ele condicionava o reconhecimento mundial a que a Serra dos Cristais, cuja paisagem emoldura a cidade, ganhasse também um instrumento legal de proteção. Na corrida contra o tempo, a Câmara de Vereadores de Diamantina aprovou o Plano Diretor em período recorde. E o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico – Iepha/MG, por sua vez, tomaria todas as providências para o tombamento da Serra dos Cristais.

Resultado de todos estes esforços, o centro histórico de Diamantina seria finalmente reconhecido por unanimidade como Patrimônio Cultural da Humanidade na reunião da UNESCO no Marrocos em dois de dezembro de 1999. Em entrevista à revista Diamantina Patrimônio Mundial, veiculada pelo Hoje em Dia em fevereiro de 2000, o prefeito João Antunes assim avaliou a conquista:

 

“Penso que Diamantina foi escolhida não apenas pela riqueza de seus monumentos ou a arte de seus movimentos culturais, mas pela capacidade e possibilidade de conservar sua história. Neste sentido, acredito que foi dado o primeiro passo. Agora, a cidade vai caminhar sozinha. Ao mesmo tempo em que o título nos traz prestígio, traz  também uma responsabilidade: não é mais possível manter o ritmo antigo. A cidade cria uma nova mentalidade de melhoria e progresso”.