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18/05/2007
Mar de eucaliptos marca o segundo dia da viagem da Comitiva pelo sertão

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Um mar de eucaliptos e a fumaça dos fornos inundaram a paisagem no segundo dia de viagem da Comitiva do Sertão das Gerais, entre a Fazenda Tolda e Andrequicé – distrito de Três Marias imortalizado pela obra de Guimarães Rosa e pela vida do vaqueiro Manuelzão, capataz da comitiva de 1952. Por cerca de 24 quilômetros, a boiada e a tropa tiveram de cortar, sob um sol escaldante, quadras uniformes, plantadas com eucaliptos de diversos tamanhos e idades, ou já destocadas pelos tratores da empresa Gerdau, que é proprietária do imenso reflorestamento.

Como uma pequena ilha, a Fazenda da Tolda, pouso de Guimarães Rosa em 1952 e da comitiva atual, conseguiu resistir à sanha do reflorestamento. “O eucalipto rodeou tudo aqui”, lamentou Geraldo Afonso Soares, 58 anos e um dos sete herdeiros da propriedade fundada pelo seu avô, Tieres de Souza Vieira, no início do Século XX. “Eles até tentaram comprar, mas a gente não quis vender”, ele revelou, acrescentando que, como no passado, a criação de gado continua sendo a atividade principal da fazenda ainda hoje.

No velho casarão, que ainda não dispõe de luz elétrica, tudo lembra a viagem de Guimarães Rosa, a começar pela cama onde ele dormiu, mostrada com orgulho pelo proprietário. Na cozinha, um criativo bicame, feito em madeira de aroeira, traz a água cristalina por gravidade de nascentes de uma vereda próxima, a cerca de 400 metros. E o fogão de lenha continua eficiente: de suas trempes surgiram a carne de sol ensopada e o feijão tropeiro, entre outras iguarias que animaram a noite dos vaqueiros da comitiva em torno da fogueira armada no pátio central.

O casarão, o curral e os quartos de arreio e depósito da Fazenda da Tolda precisam, entretanto, de urgentes reformas. “Espero que a comitiva nos ajude a arrumar um jeito de fazer isso”, confessou Geraldo, temeroso de que o casarão acabe tendo o mesmo destino da Capelinha da Tolda, hoje em ruínas. Com saudades, ele lembrou que a capela era, todo mês de setembro, centro de convergência dos fazendeiros e vaqueiros da região, quando se celebrava a Festa da Tolda, em homenagem ao seu padroeiro, o Divino Espírito Santo.