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17/05/2007
A difícil e ainda viva arte de tocar uma boiada pelo sertão da Gerais

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A difícil arte de conduzir uma boiada pelas estradas poeirentas do cerrado adentro marcou o primeiro dia da viagem da Comitiva do Sertão das Gerais. Tocando um dos berrantes, o garoto Tiago, neto do Chico do Crioulo, que integrou a comitiva de Guimarães Rosa em 1952 e é o chefe da atual, tocou os acordes na saída da boiada do curral de uma fazenda, próximo à histórica Barra do Rio de Janeiro. Entretanto, duas horas depois, cerca de 30 reses desgarraram da boiada depois de passar pelo povoado das Pedras, obrigando os vaqueiros a se embrenharem em correria pelo cerrado em busca dos animais por mais de uma hora.

“No início é assim mesmo, pois os animais são muito bravos. Vai demorar uns três dias para o gado pegar o passo, se acostumar com a viagem”, vaticinou seguro o capataz da comitiva, José Renato. A boiada de 200 animais da comitiva é formada, em sua maioria, por gado Nelore, mas conta também com alguns bois “cruzados”, de raça mestiça, e estes, segundo os vaqueiros, são os mais fujões. Reza ainda a sabedoria popular dos vaqueiros que os Nelore, embora mais ariscos, são mais “burros” e, por isso, andam bem em boiada, enquanto os “cruzados” são mais espertos e inteligentes. De fato, a experiência da manhã do primeiro dia pareceu confirmar a sabedoria dos vaqueiros sobre o comportamento das raças bovinas: entre os fujões, uma boa parte era mestiça, e dois bois acabaram sendo deixados para traz, para não prejudicar a viagem da boiada até o segundo pouso, na Fazenda da Tolda, onde a comitiva chegou no meio da tarde.

Entretanto, os bois fujões só deram mais vida e força ao belo espetáculo protagonizado pela comitiva no primeiro dia da viagem, em um cenário deslumbrante de troncos retorcidos de pequizeiros e outras árvores e arbustos do cerrado, às margens da estrada de terra. Espetáculo prometido, aliás, já na noite do dia anterior, quando os vaqueiros e a equipe de apoio se reuniram nas Pedras, povoado do município de Três Marias, para acertar os últimos detalhes da viagem que, além dos animais, envolveu uma difícil e intricada logística, desde o acerto das fazendas e pousos, o transporte de alimentos e bagagens, passando pelos carros e caminhões de apoio até a organização prévia de acampamentos e da cozinha tropeira para quase 50 viajantes.