Novidades > Artigos

11/03/2007
Plantas Medicinais da Estrada Real: Um saber ameaçado

Foto Anterior Legenda da foto bla bla bal baljjflakjf adflajf adf Foto Posterior
Depois de percorrer mais de cem cidades do entorno dos caminhos Velho, Novo e dos Diamantes da Estrada Real e resgatar amostras, informações e saberes dos moradores sobre o uso de plantas medicinais, a pesquisadora e professora da UFMG, Maria das Graças Brandão, constatou que várias espécies estão hoje ameaçadas, bem como boa parte do conhecimento popular sobre elas. O resultado da pesquisa, que teve apoio da Fapemig e do CNPq, foi editado em um DVD que alerta para a urgente necessidade de preservar um valioso e ainda pouco conhecido patrimônio genético brasileiro.

Embora reúna 22% das cerca de 250 mil espécies vegetais do planeta e uma das mais ricas floras medicinais, o Brasil pouco conhece sobre o seu potencial farmacológico. Apesar do uso tradicional por séculos pelos índios, raros são os medicamentos registrados no Brasil como plantas medicinais nativas, enquanto que no exterior já existem diversas patentes de plantas brasileiras. No caso da Estrada Real, a equipe de pesquisa selecionou e estudou o uso de 20 plantas medicinais pelos moradores, sendo as mais expressivas a salsaparrilha, a copaíba, o barbatimão, a cainca e a poaia.

As raízes da salsaparrilha, por exemplo, são muito usadas pela medicina popular como depurativas do sangue. O bálsamo extraído do tronco da copaibeira, por sua vez, tem inúmeras finalidades terapêuticas, mas é pouco usado pelos moradores. Já a casca do barbatimão é conhecida por suas qualidades cicatrizantes e é muito usada por moradores da região de São João Del Rei. Por fim, a cainca e a poaia, conhecidas popularmente pelas suas qualidades expectorantes, foram mais duramente ameaçadas pelo desmatamento, sendo que a poaia é considerada pelo Ibama como uma espécie em perigo de extinção.

Naturalistas europeus

No Século XIX, os viajantes europeus deram uma enorme contribuição ao conhecimento e à divulgação da flora e da fauna nativa, reunindo informações sobre as propriedades medicinais de diversas plantas brasileiras. Entre estes naturalistas, destacam-se os botânicos austríacos Emmanuel Pohl e Mikan, os alemães Spix e Martius, e Langsdorff e o botânico francês Auguste Saint-Hilaire. Boa parte dos estudos e do material coletado por estes naturalistas encontra-se depositado em instituições européias, como no Museu de História Natural de Viena e no Jardim Botânico de Munique.

Maiores informações sobre o projeto podem ser obtidas com a professora Maria das Graças, pelo telefone (31) 3499-6970 ou pelo e.mail mbrandao@farmacia.ufmg.br.