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07/12/2006
Artesanato leva cultura do Vale para o mundo

O que começou como arte de produzir objetos utilitários, artefatos e utensílios domésticos se transformou em uma das principais atividades do Vale do Jequitinhonha, conhecida em várias partes do mundo. O artesanato do Vale surgiu de uma tradição indígena de se fazer panelas e potes para armazenar, cozinhar e servir alimentos. Hoje, a prática ganhou valor artístico e os utensílios se transformaram em peças decorativas como bonecas, seres imaginários, obras surrealistas e máscaras africanas com grande valor estético e de grande sucesso em galerias e exposições do Brasil e do exterior. Do Vale, surgiram grandes nomes desta arte como Isabel Mendes, Maria Lira Marques e Ulisses Pereira Chaves.

O artesanato sempre desempenhou um papel importante para o Jequitinhonha. Os trabalhos são diversos como tecelagem, renda, madeira, cestaria e, principalmente barro, que, segundo o livro Artefatos de Gênero na Arte do Barro, de Sônia Mattos, chega a englobar 21% de todo o trabalho manual produzido na região. Para o autor do texto que deu origem ao catálogo da exposição Vale: Vozes e Visões, Cacá Brandão, o artesanato é símbolo de um reconhecimento muito grande do povo com o Jequitinhonha. “É uma maneira de construir uma identidade regional e social. Eles celebram a terra em suas obras, o que mostra uma relação muito forte entre as pessoas e suas raízes”, diz.

O jequitinhonhense também tem uma forma peculiar de criar e expor a sua arte. Para Cacá, o artesão do Vale recompõe o mundo de uma forma diferente dos artistas dos centros urbanos. “Ele deposita seus sonhos, desejos, memórias e sentimentos na peças criadas, e, assim, encontra novas maneiras de pensar, racionalizar, ver e se relacionar com o mundo, diferentemente da lógica urbana”, afirma.

A cultura do Vale não é apenas representada pelo artesanato, mas também pelo folclore, pela música e pela literatura, que são importantes elementos da ampla diversidade artística da região. Apesar da difícil situação econômica enfrentada pelas comunidades do Jequitinhonha, essa riqueza não é prejudicada. “A arte não se relaciona com a condição financeira, ela se faz de uma produção cultural e de um povo que espiritualmente é muito rico e que faz da sua relação com a terra um grande instrumento de trabalho”, diz Cacá.

Além de ser uma forma de expressão artística muito valorosa, o artesanato também se tornou uma importante alternativa econômica para a região. O trabalho é desenvolvido nas casas ou em pequenas oficinas, envolvendo a maioria dos membros da família, em especial as mulheres.