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10/10/2006
Reserva da Biosfera do Espinhaço ganha Comitê Estadual

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A Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço, criada pela Unesco em setembro de 2005, começou finalmente a sair do papel, com a posse dos 28 conselheiros do Comitê Estadual da Reserva, realizada no dia dez de outubro, no auditório do Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais – IEF/MG. O comitê terá agora pela frente o desafio de implantar a unidade do Espinhaço - a 483° reserva mundial reconhecida pelo Programa O Homem e a Biosfera (MAB) em 102 países, devido às características únicas da biodiversidade natural e cultural que preservam.

“Ao contrário de outras reservas brasileiras, como a da Mata Atlântica e a do Cerrado, o Espinhaço não tem apelo como um bioma único, pois constitui uma zona de transição entre eles. Como critérios para o reconhecimento, trabalhamos então com o uso e a ocupação da terra, a beleza das paisagens e o fato de a cordilheira permitir a integração entre os biomas”, lembrou o professor Miguel Andrade, do Instituto Terra Brasilis, empossado na vice-coordenação do Comitê. Além da conservação da biodiversidade, o professor disse que o Comitê deverá buscar caminhos para a promoção do desenvolvimento sustentável na reserva, bem como para a realização de ações de pesquisa e de educação ambiental.

Por sua vez, Humberto Candeias, diretor-geral do IEF/MG e coordenador do Comitê, salientou que a área delimitada para a reserva, de mais de três milhões de hectares em 53 municípios mineiros, deverá ser ampliada na Fase II do projeto, estendendo-se até a Chapada Diamantina, na Bahia. Para esta fase, ele informou que já foram iniciadas as negociações com o governo baiano, mas a expansão da reserva dependerá de um estudo aprofundado desta região.

Formada por uma cadeia de montanhas com altitude de até dois mil metros, como o Pico do Itambé, a Serra do Espinhaço nasce na região de Ouro Preto, em Minas Gerais, prolongando-se em cerca de mil quilômetros no sentido norte até a Chapada Diamantina, na Bahia. A serra é a única cordilheira do Brasil e constitui uma zona de transição entre o Cerrado e a Mata Atlântica, em cujos campos rupestres se encontram espécies da flora e da fauna ameaçadas, como as sempre-vivas.

Seus terrenos são ricos em reservas de ferro, bauxita, ouro e diamantes e, por isso, a cadeia do Espinhaço foi referência geográfica estratégica para a interiorização da colonização portuguesa no primeiro quartel do Século XVIII. Pela margem esquerda da serra, o rio das Velhas e o São Francisco guiavam um dos caminhos antigos das Minas para as Capitanias da Bahia e de Pernambuco. Já à direita do Espinhaço, outra rota margeava o rio Jequitinhonha até a Bahia.