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22/09/2006
Projeto da UFMG melhora a qualidade da Šgua no Vale do Jequitinhonha

Luiza Oliveira

Amenizar os problemas causados pela escassez de √°gua na regi√£o do Vale do Jequitinhonha, semi-√°rido mineiro. Esse √© o principal objetivo do projeto ď√Āgua de ChuvaĒ, elaborado por estudantes e professores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Com o monitoramento das cisternas e o tratamento da √°gua da chuva, o projeto viabilizou √°gua pot√°vel para a popula√ß√£o carente das cidades de Itinga e Ara√ßua√≠.

Os principais focos do trabalho foram a aplicação de técnicas para captar e reservar a água da chuva e a conscientização da população local. No processo de captação, a água que cai no telhado passa pelas calhas, chega a uma tubulação e é levada até uma cisterna semi-aterrada. Em seguida, é armazenada em uma caixa vedada, para que não tenha contato com o meio externo ou com a luz solar.

O grupo também monitora a qualidade da água de oito cisternas antigas e de outras oito recém-construídas por meio de análises químicas e bacteriológicas para verificar se ela atende ao padrão de potabilidade ideal.

A aplica√ß√£o das t√©cnicas adequadas √© fundamental para o sucesso do projeto, mas o enfoque deste ano √© mesmo a orienta√ß√£o da popula√ß√£o. ďNas atividades, eles passam a conhecer melhor as cisternas para que, caso haja necessidade, saibam resolver quaisquer problemasĒ, explica o estudante de engenharia civil e volunt√°rio do projeto, Erick de Castro Bernardes. Enquanto as fam√≠lias recebem orienta√ß√Ķes sobre t√©cnicas simples de desinfec√ß√£o de √°gua, os pedreiros e agricultores da regi√£o s√£o treinados para aprender a construir bombas manuais feitas com tubos, conex√Ķes e bolas de gude. ďCom a bomba, a contamina√ß√£o da √°gua diminui j√° que ela pode ser retirada da cisterna sem o uso de baldes, o que provoca sujeira dentro delaĒ, diz Erick.

O trabalho j√° mostra resultados. Desde o in√≠cio das atividades, as mudan√ßas observadas foram significativas. ďAs crian√ßas diminu√≠ram suas visitas ao posto de sa√ļde por n√£o beberem √°gua do rio polu√≠daĒ, afirma Erick.

Segundo o volunt√°rio do programa, Leonardo Augusto Santos, os estudantes de Ci√™ncias Biol√≥gicas e Farm√°cia contribu√≠ram para refor√ßar a import√Ęncia da prote√ß√£o sanit√°ria, um dos pilares do projeto, com a realiza√ß√£o de diversas atividades, como brincadeiras infantis com temas relacionados √† educa√ß√£o ambiental, palestras sobre a sa√ļde da mulher e doen√ßas de veicula√ß√£o h√≠drica e exibi√ß√£o de filmes educativos nas comunidades rurais.

Projeto

Criado em 2005, o ď√Āgua de ChuvaĒ surgiu gra√ßas a um edital da Funda√ß√£o Nacional de Sa√ļde (Funasa), aberto a todas as faculdades do pa√≠s, para verificar a qualidade da √°gua da chuva reservada por meio das cisternas. O projeto vencedor, elaborado por alunos da UFMG, era intitulado de ďProte√ß√£o Sanit√°ria de cisternas utilizadas na preserva√ß√£o de √°guas pluviais para consumo humanoĒ e tinha a pesquisa a ser desenvolvida no semi-√°rido mineiro. O ď√Āgua da ChuvaĒ surgiu dentro dessa pesquisa.

O programa j√° teve duas edi√ß√Ķes, a primeira no ano passado e outra em julho deste ano. Para este ano, j√° est√£o previstas outras atividades na √°rea ambiental da regi√£o, relacionadas √† oferta de √°gua. O ď√Āgua de ChuvaĒ √© financiado pela Funasa e executado pelo Departamento de Engenharia Sanit√°ria e Ambiental (Desa) da UFMG.