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22/08/2006
Cataratas do Iguaçu passam por grave seca

Luiza Oliveira

Os milhares de turistas que mensalmente visitam o Parque Nacional do Iguaçu têm se deparado com uma imagem desagradável. As famosas quedas d’água das cataratas do Iguaçu, que fazem parte da lista do Patrimônio Mundial, estão cada vez mais escassas. A falta de chuvas tem provocado seca e a diminuição do volume de água das cachoeiras. No lugar do conjunto, antes formado por 275 saltos, hoje há um imenso paredão com filetes de água.

A vazão de água nas cataratas chegou a 190 metros cúbicos por segundo no dia 14 de agosto, volume considerado baixíssimo se comparado ao índice normal das imensas cachoeiras que é de 1,5 mil metros cúbicos por segundo. O problema já afetou o turismo na região. Segundo dados do Parque Nacional do Iguaçu, em julho deste ano, 86 mil turistas visitaram o local, 26 mil a menos do que o registrado no mesmo mês do ano passado. Roteiros turísticos, como os passeios de barco que levam os visitantes até praticamente embaixo das quedas d’água, foram cancelados. “Muita gente, que já tinha comprado a viagem, acabou adiando”, diz o biólogo do parque, Apolônio Rodrigues.

A seca que atinge o Paraná começou a cerca de três meses e é considerada uma das piores dos últimos 70 anos, só ficando atrás das estiagens de 1978 e 1988. Nesse último ano, o volume de água no local chegou a 134 metros cúbicos por segundo. “Desde dezembro as chuvas têm sido abaixo da média histórica”, diz o metereologista do Sistema Metereológico do Paraná (Simepar), Tarcísio Valentim da Costa.

São vários os fatores responsáveis pela atual situação. Segundo Valentim, uma massa de ar quente instalada sobre a Região Centro-Oeste do país impede a chegada de frentes frias que provocam as chuvas na região oeste do Paraná, onde fica Foz do Iguaçu. Outro aspecto relevante é o La Niña, um fenômeno oceânico-atmosférico que provoca o esfriamento anormal nas águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical. Ele está em sua etapa final, mas ainda apresenta alguns reflexos. Um deles é provocar muita chuva no nordeste e pouca no sul do país. Valentim diz ainda que o problema é agravado porque os meses de inverno são os de menor índice pluvial da Região.

As previsões até agora não são muito otimistas e indicam que a situação deve perdurar. Segundo estudos do Simepar, a precipitação nos meses de agosto e setembro deve variar entre normal e abaixo da média.

Falta de chuva provoca prejuízos ambientais

A seca que assola a região do Paraná não afeta somente as águas das Cataratas do Iguaçu. Ela também tem provocado outros impactos ambientais. Nesse mês, um incêndio que destruiu mais de 70 hectares da vegetação do parque, prejudicando principalmente a flora local, mobilizou cerca de 60 brigadistas. Outros quatro focos de incêndio nas margens do parque também foram combatidos. “Nessa época, temos que aumentar os cuidados em relação à proteção e à fiscalização para evitar o fogo”, diz o biólogo do Parque Nacional do Iguaçu, Apolônio Rodrigues. Segundo ele, há quinze anos não ocorria um incêndio desse porte no local.

A grande quantidade de peixes encontrados mortos é outro problema causado pela seca. Segundo Rodrigues, muitos morreram ao ficarem isolados em piscinas que se formaram com a diminuição das águas. “Exemplares de espécies como o Cascudo, que costumam ficar no fundo, não perceberam que a água estava secando e acabaram morrendo”. Apesar dos impactos sofridos, não há motivos para grande preocupação. Ainda segundo o biólogo, a situação está controlada e não há risco de as espécies não conseguirem se recuperar. “Há um impacto visível, mas a perda não chega a ser tão considerável”, diz.