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10/07/2006
Rodovia fantasma ameaça região mais biodiversa da Amazônia

Pedro Costa

A BR 319, que corta a região amazônica e não recebe manutenção desde sua inauguração, em 1970, vai enfim ser restaurada pelo governo federal, com investimentos avaliados em R$ 350 milhões. O problema, segundo Mario Cohn-Halft, coordenador do projeto Geoma, que estuda possíveis áreas de conservação e investiga a dinâmica demográfica da Amazônia, é que a maior parte dos cerca de 800 km da rodovia estão intrafegáveis, com trechos totalmente tomados pela mata e sua recuperação pode causar grandes impactos ambientais.

Apesar do temor do ambientalista, o governo diz que está tomando medidas para proteger o local. Desde janeiro as obras de asfaltamento estão embargadas para levantamento de informações que vão definir áreas de proteção. Para isso, a região foi declarada área sob limitação administrativa provisória, o que proíbe desmatamentos e construções até agosto, quando a medida expira.

Localizada entre os rios Purus e Madeira, a região onde está a BR 319 possui grande variedade de ecossistemas, com florestas de terra firme, bambuzais, matas alagáveis, campinas e serras. A região abriga, ainda, um enclave de cerrado mais bem preservado que as áreas conhecidas desse bioma no centro do país. Já se sabe, por exemplo, que esse interflúvio (região entre rios) tem aves e primatas exclusivos da área.

Outras ameaças
Além das obras na BR-319, a região sofre as ameaças das construções do gasoduto Urucu-Porto Velho e de duas hidrelétricas no rio Madeira, que podem viabilizar uma hidrovia. De acordo com o secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Copobianco, o licenciamento do gasoduto acompanha um bom conjunto de medidas de controle, incluindo áreas de floresta nacional. A hidrovia, por sua vez, não deve vingar. "Seria preciso construir três hidrelétricas, inclusive uma binacional com a Bolívia, coisa que o governo já descartou”, afirma Copobianco.