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Temperaturas vão crescer 3 graus neste século
Com a previsão de crescimento da temperatura média no mundo de 3 graus Celsius até o final deste século, os cientistas prevêem que a seca e a escassez de água potável afetarão a vida entre 1,1 bilhão e 3,2 bilhões de pessoas, sobretudo na China, na Austrália e em regiões da Europa e dos Estados Unidos. Esta é uma das principais conclusões do Painel Intergovernamental para a Mudança Climática, elaborada a partir de estudos e pareceres de 2,5 mil cientistas em todo o mundo. O Painel foi criado em 1988 pela Organização Meteorológica Internacional e pelo Programa Ambiental da ONU para orientar as políticas globais sobre o aquecimento do planeta.

Aquecimento global agravará a fome de milhões
Segundo o estudo sobre a mudança do clima feita pelo Painel Intergovernamental, o aquecimento global fará com que entre 200 e 600 milhões de pessoas passem fome por volta de 2080, enquanto que as inundações litorâneas, provocadas pela elevação do nível dos mares, deverão inundar sete milhões de casas. Países pobres, como os da África e Bangladesh, por exemplo, deverão ser os mais afetados pela onda de catástrofes provocada pelo aquecimento global, por serem os menos capazes de lidar com as secas e as inundações litorâneas, advertem os cientistas.

Pólo Norte pode derreter até 2100
Os estudos realizados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas indicam a possibilidade de derretimento total do gelo do Pólo Norte até 2100 e a redução da cobertura de neve em outras áreas do planeta. Caso a elevação das temperaturas fique em 3 graus Celsius, a média entre os 1,8 e 4 graus previstos pelos cientistas, vai se elevar também o risco de colapso da camada de gelo do Pólo Sul, sobretudo da Antártida Ocidental, e as secas no sul da Europa serão dramáticas a cada dez anos. De acordo com os diferentes cenários desenvolvidos pelos cientistas, a elevação do nível do mar poderá chegar a 59 mm até o final deste século.

Londres, Nova York e Tóquio
No cenário mais pessimista traçado pelos cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, caso a elevação das temperaturas no mundo cheguem a 5° Celsius até 2100 a elevação do nível dos mares ameaçará pequenas ilhas, áreas costeiras, como na Flórida (EUA), e grandes cidades, como Nova York, Londres e Tóquio. Neste cenário, as geleiras do Himalaia, que já estão derretendo, estarão também ameaçadas de desaparecer e o crescimento das atividades oceânicas prejudicará cada vez mais o ecossistema marítimo, sobretudo a população de peixes.

Efeito estufa acumulado
Mesmo que os países reduzam as emissões de gases poluentes ao nível do ano 2000, os cientistas afirmam que a temperatura mundial continuará crescendo a uma média de 0,4° Celsius nas próximas duas décadas e 0,1° nas seguintes devido ao efeito estufa acumulado. Entre 1995 e 2005, por exemplo, as concentrações de CO2 aumentaram 1,9 partícula por milhão e o resultado foi que desde que foram iniciados os registros climáticos mais confiáveis, em meados do Século XIX, 11 dos 12 anos mais quentes foram registrados a partir de 1995.

Alerta sobre o clima será discutida pela ONU em Bali
Os estudos realizados pelos cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, cujo relatório está sendo considerando como referência para o “pós-Kyoto” - ou seja, para o compromisso dos países após 2012, quando expira o Protocolo de Kyoto - será discutido em uma nova reunião da ONU em dezembro, em Bali, na Indonésia. Diante das perspectivas sombrias, os cientistas do Painel esperam que a ONU apresente uma resposta efetiva contra o aquecimento global, inclusive com a continuidade do Protocolo de Kyoto. Entretanto, os Estados Unidos, o maior poluidor mundial, sequer ratificou o protocolo.

Amazônia deve esquentar 8° até 2100
Estudos realizados por pesquisadores brasileiros, contratados em 2004 pelo Ministério do Meio Ambiente, confirmaram as previsões de que o aquecimento global poderá elevar as temperaturas na Amazônia em 8° até 2100. Caso este cenário mais pessimista se confirme, parte substancial da Amazônia adquirirá as características do Cerrado até o final deste século, perdendo a floresta a capacidade de absorção de gás carbônico.

Nível do mar no Brasil subirá até 1,5 metro
De acordo ainda com os estudos encomendados pelo Ministério do Meio Ambiente, o aquecimento global poderá elevar o nível do mar na costa do Brasil em 1,5 metro até 2100, afetando diversas cidades costeiras, sobretudo o Rio de Janeiro e Recife. Estas projeções foram feitas com base nos dados do último relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC, que alertou o mundo para a grave crise climática provocada pelo homem.

Europa quer reduzir em 20% a emissão de gases
A União Européia foi a primeira comunidade a reagir ao crescimento alarmante do aquecimento global com o anúncio de um plano para reduzir a emissão de gases que provocam o efeito estufa em 20% até 2020. O plano, anunciado pela Comissão Européia é o de reduzir a dependência dos países europeus a combustíveis derivados do petróleo, através do investimento em energias renováveis, como o biodiesel, a bioetanol e a biomassa. A implantação das medidas previstas no plano dependerá, entretanto, da aprovação de cada um dos países-membro da comunidade européia.

Pesquisa de energia limpa custará U$ 45 bilhões/ano
Os governos precisarão investir entre 45 e 60 bilhões de dólares por ano em pesquisas sobre fontes limpas de energia para minimizar os efeitos do aquecimento global e promover cortes drásticos nas emissões de gases produzidos pela queima de combustíveis fósseis. Estas estimativas foram feitas por um grupo de cientistas criado pela ONU, cujo relatório aponta que as emissões dos gases precisam parar de crescer até o qüinqüênio 2015/2020 para então serem reduzidas a 1/3 até 2100.